Sites propõem boicote a lugares caros demais

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O morador de grandes cidades brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília já se acostumou a ver as regiões onde vivem listadas entre as “mais caras do mundo” em rankings e estudos especializados. Em uma cidade como São Paulo, por exemplo, algumas casas noturnas cobram 200 reais de entrada e muitos estacionamentos de restaurantes custam mais caro que a refeição consumida.

O movimento de alta desenfreada nos preços inspirou uma série de sites que visam ora divulgar locais de preços econômicos ora simplesmente denunciar os estabelecimentos que andam cobrando caro demais de seus consumidores. Um dos representantes desse movimento é o “BoicotaSP”, criado pelos publicitários Ricardo Giassetti, Danilo Corci, Marcos Takabayashi e Camila Kintzel. O site foi ao ar com a premissa de expor lugares em São Paulo que, como o próprio nome sugere, merecem ser boicotados.

“No nosso serviço, os usuários podem indicar um lugar que considerem muito caro e os estabelecimentos citados podem se explicar e rever suas políticas de precificação”, afirma Corci, que na última semana dividiu as atenções entre o trabalho na agência de publicidade e a estreia do BoicotaSP.

Usando Google Maps, os estabelecimentos – sejam eles padarias, pizzarias, restaurantes, sorveterias, supermercados ou teatros – são indicados no mapa pelos usuários e recebem uma descrição sobre os preços mais abusivos e uma nota, que varia entre uma e cinco “bombas”.

Para inserir um local, basta ao usuário fazer login no site e enviar as informações necessárias. A equipe do BoicotaSP, no entanto, fará a moderação. “O BoicotaSP não é um juiz, mas sim uma plataforma de debate. A moderação observa se há ofensas pessoais e o sistema verifica se a pessoa ou perfil existe de verdade”, diz Corci.

Na semana de estreia, o site teve uma ascensão tão grande que ficou fora do ar algumas vezes, em função do alto tráfego. “Como uma das premissas do projeto era ‘custo zero’, os servidores contratados inicialmente não atenderam à demanda de acessos. O site está sendo readequado para atender a todos”, afirma Corci.

Na primeira semana de BoicotaSP, a fã page oficial atraiu 32 mil pessoas e o site registrou 100 mil visitas. O sucesso instantâneo motiva os criadores do serviço a fazer melhorias no site.  “Em breve, os usuários poderão interagir no ranking que o site exibe e baixar o ‘nível de exploração’ de um local caso discordem do boicote proposto”, diz o publicitário.

SP Honesta – Inspirado pelo Boicota SP, o site “SP Honesta”, criado por Rebeca de Moraes e Tatiana Dias, propõe reunir lugares de custo econômico ou considerado adequado à qualidade dos produtos e serviços oferecidos. O site foi desenvolvido apenas pelas próprias criadoras e seu conteúdo é produzido com auxílio dos leitores.

“Entra no site quem, de fato, tem bom preço, bom produto e bom atendimento”, explica Tatiana. As idealizadoras do projeto não aceitam indicações dos próprios donos de estabelecimentos, apesar de terem recebido recomendações oficiais.

Rebeca e Tatiana souberam usar a onda gerada pelo BoicotaSP e emplacaram também o seu endereço virtual na web. A página site no Facebook ganhou mais de 5 mil fãs em uma semana. “São Paulo é uma cidade muito cara, em especial para comer e beber” afirmam as garotas, que pensam em expandir a ideia para outras cidades quando forem capazes de cobrir São Paulo toda. Segundo Tatiana, alguns cariocas já estão desenvolvendo “uma versão fluminense” para o site de “opções  honestas”.

Rolet 20Conto – Com uma linguagem mais bem humorada e próxima dos ‘memes’ encontrados na internet, Ana Carolina Madureira, Mateus Grazina, Nicholas Stoppel e Larissa Darcie percorrem São Paulo para encontrar as melhores opções gastando apenas 20 reais.

Essa é a ideia do Rolet 20Conto. O site, criado na plataforma Tumblr, já é mais antigo que os citados acima, foi criado em dezembro 2012, mas teve uma grande exposição após a “onda de preços abusivos de SP”, como os criadores do serviço afirmam. A fã page do 20Conto no Facebook soma 2,1 mil seguidores.

Diferentemente do BoicotaSP e SP Honesta, o Rolet 20Conto possui a experiência própria dos autores do site antes de publicar a recomendação barata. “Nosso critério é bem simples: se custa 20 conto, tá valendo. Só que, ao invés de postar o lugar direto na internet, a gente faz a visita e escreve sobre a experiência”, diz Carolina.

A equipe do 20 Conto agora pensa em ‘monetizar’seu serviço. “Se existisse uma forma de ganhar dinheiro, a gente poderia ampliar nossas visitas, vender camisetas com as nossas ilustrações e talvez até criar uma festa ‘20Conto’”, afirmam.

O Rolet 20Conto conta com publicações bem humoradas, como a receita de ovo de páscoa, que recusa a ideia de comprar um ovo com “uma casca super fina, um quebra-cabeça de brinquedo e uma dívida maior que o amor de Jesus”.

Com mais tempo na internet, os administradores do site já sabem onde não comer somente com 20Conto em São Paulo. “O eixo Paulista-Augusta é a região mais dominada pela ‘pilantragem’. Quando mais longe desse centro, mais barato fica o lugar”.

A equipe afirma que o Rolet 20Conto, assim como a SP Honesta e o BoicotaSP se complementam no objetivo comum de deixar São Paulo mais democrática.

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